sempre cabe mais um… um lugar, um bom amigo, uma nova cor…

Últimas

As mãos em concha, não aprisiono a nada

Senão amparo o que me verte

Fresco, morno, gélido ou fervente

Me escorre pelos dedos e torna a verter.

 

Depósitos minerais nas minhas encostas sinuosas

O quanto deixo a água passar em meus contornos

É  quanto solidifico minhas margens

A água que me acaricia ou bate

É ela que me molda a face.

 

Maio, 2017.

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Teu colo

O mundo inteiro desabando

O meu não é diferente.

O país todo ebulindo

E meu coração apertado,
te chama.

 

Por mil vezes calaste

Só pra não ver minha resistência

Pra de novo me deixar

Trilhar meus próprios caminhos

Autora dos meus passos

 

Quando de manso te grito

Socorro

Sutil é o tom que percebes

Minha súplica

Me tira desse abismo

 

E mais uma vez teu colo

E uma vez mais teu amor

E para sempre tua acolhida

Forte e doce, me sustenta.

 

Se tudo o que fiz te contenta

Não é porque em tudo acertei

É porque foi pra isso o teu trabalho

Pra que eu fizesse o que fosse

Desde que meu, desde que verdade

Desde que justo, desde que coragem.

 

E mais uma vez teu colo

E uma vez mais teu amor

E para sempre tua acolhida

Forte e doce, me sustenta.

 

Pra dizer que eu vá, que eu siga

Mesmo que desista,

Porque há vida

Em tudo quanto é coisa

Que se escolha.

 

E eu escolho lutar. Sempre

Porque foi assim que teu colo me ensinou.

 

Com amor, pra Maior Mãe do Mundo,
Curumim.

memórias da casa

Falávamos de amor, sim.

Do amor às histórias e

Às coisas que as carregam.

 

Falávamos do que nos move

E nos movemos um

Em direção ao outro.

 

Eu olho em volta

E objeto algum guarda a história desses dias.

Guardam as almas suas pequenas alegrias,

Guardam os corpos a sua festa.

 

***

 

Na casa, o objeto maior guardador das memórias

Projeta-se a festa dos corpos.

Entre suas paredes, dentro das suas penumbras,

Teu cheiro, teu gozo, teu beijo.

 

 

26 de setembro de 2016.

Da delícia que é receber em casa um hóspede e ganhar um amigo pra lá de especial!
E ganhei esse presente lindo! 🙂
.
Taiana, por Guilherme Salviano.
 .
É claro que estampada és uma canceriana
E que nada me faria esquecer que és Taiana
Que acolhe com abraço Bomfim de noite que emana
Bondade arquitetada seja em Rio Grande, Poa ou Uruguaiana
 .
Arquiteta uma amizade como o afeto faz saudade
E a ela tão poeta manifesto aqui vontade
De representar poesia soberana sem vaidade
Como única maneira de saudá-la de verdade
 .
Guria de múltiplas cores apesar de colorada,
De gostos, artes e temas és tão  multi facetada,
por alguns tantos seres se permite ser amada
do mesmo modo que deixas ser tão leve abraçada.
 .
E que brinde de bom vinho
Celebre todo carinho
E tão bem ao lado teu, ninguém estará sozinho
Acolhido em doce lar, refúgio ou belo ninho
 .
És a TAI que aqui EsTAIS
Que sempre bem permaneça propondo doces ou sais
Acolhido em teu destino quero ter os teus sinais
E no sempre idealizo bem mais dias ver-te mais.

Não te amo com a força de quem quer destruir.

[e o não-amor tem uma força que a tudo descolore]

Te quero poder negar – contradição do querer.

Ter-te para deixar-te – fraqueza de quem duvida

Ter-te-ver para deixar-te ir – calma de quem não tem.

Ver-te ir sem ter-te amor.

De raiva, seguir só.

Coisa de quem só quer o amor.

 

Julho de 2011.

Bonita do Morro

Porque és uma parte do que me constitui

Como força, como beleza, delicadeza

Como costumavas dizer, realeza.

Real beleza

Das horas à noite,

Através das sombras avermelhadas das velas

Em que nos víamos em vestidos especiais

Coloridos colares e brincos longos…

Encantamento cenográfico

Pra magia que sucedia o ritual

Os olhares cúmplices de graça

E o irromper das melodias.

Nossas vozes dançavam naquela sala em penumbra

Enquanto éramos felizes.

A Primavera dos dias

Querido setembro,

 

Desculpe o mau jeito,

Mas vou logo avisando:

É bom que não me enganes.

 

Teu prenúncio me comove.

Vou, sem dar-me conta,

Abrindo as janelas,

Lavando os lençóis

Adicionando temperos,

Pondo descalços os pés.

Vou imitando teus botões que,

Quase felizes, preparam-se

Para a Primavera dos dias

Quando, finalmente,

Passeiam pelas ruas

Suas cores perfumadas.

 

Setembro, tu que todo ano vens me dizer

Que a primavera só se faz tão bela

Porque precedida por um rigoroso inverno…

És tu mesmo, florindo o Jacarandá da minha janela?

Que dura a vida

De um poeta sem rima.

Sem dor dilacerante,

Uma paixão ardente,

Qualquer coisa que sustente

Essa condição só humana

De sofrer poesia.

 

Não é nem angustiante

Não ter tema pra escrita.

Qualquer coisa que quase palpita

Passa pálida à jusante.

 

De repente até saiu

Uma rima rica por acaso

Para desagrado do poeta

Porque a vida, quando rima,

Só pode estar enganada.

 

Tudo aqui não passa de tropeço

Passo avesso, desencontrado

 

Meu chá, já morninho

Nem mata a sede nem esquenta.

Só me faz companhia

Nas noites de solidão.

 

12/08/2014.

Analogia futebolesca

Pra mim, o campeonato acabou.
Estou tirando meu time de campo.
Primeiro porque parece que estamos jogando sempre contra o Corinthians: As regras são formatadas e reorganizadas da melhor forma pro “adversário”, ademais, volta e meia mudam no meio da partida.
Assim sendo, tive que reorganizar a equipe e fiz uma coisa que detesto ter de fazer: pus 4 zagueiros! Justo eu, que detesto time retranqueiro (mas a estratégia de defesa foi necessária pra não tomar de vareio!)! Eu gosto do futebol arte! Pra mim, o que faz um belo jogo é um time solto, trocando passe, meio-campo criativo e centroavante recebendo na área pra fazer o que sabe: gol!
Não é que não tenha saída: de pontinho em pontinho a gente vai subindo na tabela. Mas uma vitória de vez em quando anima o time, o professor fica feliz e o patrocinador se empolga!

 

(uma homenagem a um certo modo arteiro de pensar a vida)

Pois será aqui onde posso amar?

O tanto que me demoro

Nesse vaivém

É o que palpita.

O possível ali guardado

E alguma coisa dizendo

“se demore um pouquinho mais”

Que tudo pode ser (só) questão de ficar.

 

Junho de 2014.

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