sempre cabe mais um… um lugar, um bom amigo, uma nova cor…

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Sei lá eu, Carolina,

Se tenho fôlego de soprar.

Antes de virar fumante

Antes de virar adulta

Antes de virar sã… (?)

Talvez eu tivesse.

Eu sopraria – e soprava

Tão forte

Que uivava.

Quem sabe

Tão forte

Que era mesmo

Meu próprio sopro que voltava em correntes de ventania

E era isso que eu ouvia…

Meu próprio eco que soprava.

Seremos nós tão autocentrados

Que só conseguimos mesmo ouvir

Nosso próprio eco?

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Era um sonho, Zé.

Aquele café de manhã

Aquele bom dia

Viajando na fibra ótica

nos dizia.

A gente se dizia, Zé

Que prum sonho

Bastaria um desejo

E ele havia.

Mas o café acabou, Zé.

A fibra ótica virou nuvem

E o vento não sopra tão forte

Pra levá-la até aí.

Se ao menos tu soprasses de volta, Zé…

. quero falar de amor .

No propósito do amor

A intenção de amar.

Não são palavras

Dizendo o amor

Que o asseguram.

(nada assegura o amor)

As palavras

De amor

O alimentam.

Dizer do amor

É fazer amor.

Nada é promessa,

Nada é imutável.

O gozo, efêmero,

A palavra

Não menos volátil

Faz brincar as borboletas.

Poema para as distâncias.

Que sejam leves

Ainda que longas.

Que, sendo plumas,

Deslizem nos ventos

Felizes das memórias

Que levam e que trazem

Amores

Mimos

Cafunés

Palavras.

Que o imenso

Que separa os corpos

Seja o infinito espaço

Que une as almas

Que se bem-querem.

poeminha

Ando assim

De gaiata pela vida.

Ora ganho uma prenda,

Ora um afago.

Numa esquina

Uma saia erguida

Por um vento arteiro.

No meio do quarteirão

Um solavanco de revesgueio.

Cada passo do caminho

É um susto e uma descoberta.

Num olá, levo um sorriso

E um olhar sincero.

Adiante, na roleta,

Um cutuco e uma cara feia.

Se nem tudo são flores,

Pode que um espinho vire rima

E o dedo fincado, um poema.

Calmaria

É mar manso, de entrar devagarinho

sentindo a água fria na pele…

É nele nadar

Lenta e deliciosamente.

Eu tenho uma mágoa, confesso.

Não me orgulho disso, não,

Mas já não posso negá-la.

Não é de hoje, nem de ontem

A sua companhia.

Tem dias que ela é brisa,

Levinha e passageira.

Noutros, tempestade de vento

Revolvendo terras

Deslocando tudo.

 

Nesses, passa a rancor,

Arde úlcera

Tem memória viva e forte

Da sua razão de ser.

Covarde… covarde…

Ressoa…

Covaaarde…

Por não dizer, não amar,

Não viver, não tentar.

 

Mas toda covardia

Tem por trás

Alguma coragem avessa.

E a minha mágoa,

Um tanto de amor

E outro tanto gratidão.

 

Então vêm os dias de calmaria

Quando que ela nem dá as caras.

Passa despercebida

Como se nem fosse

A minha sina.

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Eu chorei no não lugar

comum de nós dois

assim como em todos os nossos não lugares

imaginários de dois

imaginários de mim

mesmo aqueles em que estivemos

tão lá

e tão ausentes de nós.

Os corpos são testemunhas epiteliais

Do seu próprio encontro.

A memória é viva do pelo pra dentro.

Mas lá eu também chorei – sem vazar.

Aquela imagem de distância

De nau a partir

Aquele brilho de adeus…

Estavas bonito

E só.

Eu era esperança.

E só.

Sobre amores e Dolores… o soprar das ventanias.

Dolores ama

A duras penas

Em dias e noites

Que intensos

Forçosos

Ansiosos

Pela pele

E pela perda.

 

Saciza pela arte

Pela delícia

E pelos rodamoinhos

Loucos ou tristes

Do desejo, de amar.  

 

Que fortaleza te fizeste

Que não giras

Nas rajadas de ventania?

Que firme

Faz que aguenta

Que sustenta…

Mas Dolores insiste

Que até ela é amor

E há essa beleza

de se chorar ao ir-se embora. 

Rasuras de um jardim.

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Hoje é um dia triste.

As flores do jardim da minha casa

Têm de ser removidas.

Cortadas.

Mexidas.

As cores devem chegar às paredes.

Para isso,

Os tomates plantados com amor

Foram cortados no talo.

O jasmim dos poetas,

Que tem centenas de botões esperando por florir

Vão sofrer.

Algumas flores, já exalando seu inebriante perfume, vão cair.

Alguns botões, cuidados com esmero por tantos meses,

Não vão florescer.

Até mesmo o pequeno formigueiro

Construído por debaixo das pedras

Se indo… é triste.

Só que há a primavera como prenúncio.

Outras plantas serão semeadas

Cuidadas com carinho

E florescerão.

A vida sempre encontra seus caminhos.

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